Review: The Leftovers (Segunda Temporada)

Eu fui um pai relapso. E eu me sinto culpado, mas o assunto agora é outro. É o assunto que me fez sentir uma vontade incontrolável de escrever a respeito. Então dêem play no vídeo aí embaixo enquanto eu falo de maneira desconexa e emocionada sobre a segunda temporada de The Leftovers, que pode tranquilamente ser chamada de “a perfeição em forma de audiovisual”.

Pra começar, eu preciso dizer que o maior trunfo da segunda temporada pra mim foi abrir mão de tudo que era confortável. Como se fosse um foda-se, a série mudou completamente. De abertura, de estrutura narrativa. O primeiro episódio da temporada foi ousado e um verdadeiro tapa na cara ao apresentar novos personagens em vez de seguir a história da temporada anterior (que no episódio seguinte foi brilhantemente retomada).

Ao abrir mão de convenções de séries de TV, The Leftovers me fez abrir mão de tudo que eu pensava que sabia sobre elas. Se eu estava esperando algo acontecer, a série ia lá e fazia outra coisa. Se eu estava esperando que algo fosse impossível, era exatamente isso que acontecia. Essa completa falta de consideração pelo comum, pelo esperado é fruto da reação das pessoas à primeira temporada, como o próprio Damon Lindelof disse.

E isso também é fruto da incerteza. Não temos ainda ideia se “I Live Here Now” foi o season finale ou series finale. E isso beneficia a série. Sem amarras, sem a necessidade de criar ganchos para o que vem a seguir, a temporada teve a chance de ser amarradinha, com arcos fechados de maneira satisfatória no fim da temporada (sempre de maneira inesperada) e sem didatismo. Não houve respostas, só resoluções, que são mais importantes.

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O roteiro excelente poderia não ter tido o mesmo êxito se não fosse pelo elenco brilhante da série. Do Justin Theroux (que eu sinceramente não sei como vai conseguir escolher uma Emmy tape da temporada), passando pela Carrie Coon e pela Regina King (que dividiram os holofotes em “Lens”), chegando às improváveis estrelas de dois episódios incríveis, Liv Tyler e Amy Brenneman e chegando ao Christopher Eccleston e, claro, Ann Dowd, que inspirou um recurso narrativo só para mantê-la no elenco. Todos brilharam em seus momentos e alguns brilharam muito o tempo todo.

Para completar, a temporada foi lindamente musical. Além da nova abertura, tivemos a inclusão de “Where Is My  Mind” (tanto na versão original quando numa versão em piano), tivemos um momento pra foder o coração com “Laughing With” da Regina Spektor e aí tivemos uma cena específica do último episódio (eu estou evitando spoilers nesse post porque quero que as pessoas leiam e se empolguem e assistam à série) com a música ali de cima, “Homeward Bound” que nunca vai sair da minha cabeça.

Se alguém lê religiosamente o blog, sabe que eu tenho o plano de escolher no fim do ano as melhores temporadas, melhores atores, melhores episódios etc. Essa temporada tornou tudo muito mais difícil. Eu nunca imaginei que a segunda temporada de Penny Dreadful pudesse ter um concorrente à altura, mas, neste momento, eu realmente não sei qual eu prefiro. De qualquer maneira, foi uma aula de como fazer TV, e se esse foi o fim de The Leftovers eu fico chateado – afinal, é uma série ousada a menos – mas satisfeito com o final.

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