Review: “Here’s Not Here” S06E04 – The Walking Dead

As razões para não matar em um mundo que está praticamente morto são sempre importantes.

Spoilers e a cabra Tabitha estão nos próximos parágrafos.

Outra review de The Walking Dead que começo revoltado com o quão chato o público da série é. Nunca estão satisfeitos com nada, seja o lado de ação e tensão ou com o lado mais dramático da série, mas continuam assistindo e reclamando semanalmente. “Here’s Not Here” foi um episódio diferente mesmo, comparável a “4,722 Hours” (o episódio da semana passada de Agents of SHIELD) ao parar a ação no presente para entrar no mundo psicológico de um passado e mostrar como ele chegou até ali. No caso de Morgan, ao contrário de Simmons, trata-se de um personagem pouco popular justamente por se recusar a matar seres vivos. O que é sintomático do público, que não entende a humanidade justificada (ainda que às vezes equivocada) de um personagem.

O episódio me ajudou a lembrar que as pessoas tinham vidas antes disso tudo (da mesma maneira que Fear The Walking Dead nos mostrou) e tanto Morgan, tendo aberto mão da humanidade e abraçado um lado animalesco e violento, quanto Eastman (o terapeuta) nos fazem ver que com o “fim do mundo”, manter a humanidade é um esforço constante. Estava óbvio desde o início que Eastman não sobreviveria, mas a jornada psicológica de Morgan do início até o fim do episódio foi bonita, impactante e me fez julgar menos as decisões dele na temporada, que, como eu disse, foram justificadas, ainda que equivocadas.

John Carroll Lynch fez um ótimo trabalho (ajudado pelo roteiro) ao nos fazer gostar de Eastman e identificar nele algo dessa humanidade perdida, mas eventualmente recuperada. O conto (mais uma vez uma história ótima contada por um personagem, o que me parece uma tendência atual nas séries, e que eu gosto muito) de Crighton Dallas Wilton, o homem que matou a família de Eastman foi forte e eu me senti culpado ao achar justa a vingança do psiquiatra. Acho que o elemento mais poderoso do episódio foi esse, de apontar um pouco o dedo para o público (poderia ter feito mais) e dizer “viu? Essa humanidade perdida é a que vocês perderam também”.

Era óbvio que a tentativa de recuperar o Wolf era vã. O cara é um psicopata completo e eu fico pensando se o grupo selecionou gente que já era meio doida ou se aconteceu alguma coisa para que eles ficassem assim. Talvez a gente descubra mais pra frente, mas de qualquer maneira é mais um reflexo desse mundo terrível (o nosso e o deles).

Aleatoriedades:

Eu faço kung fu e fiquei reparando nos movimento de aikido, até que é bem parecido!

Rick chegando aos portões de Alexandria no fim do episódio… isso quer dizer que, além do próximo, que vai focar em Daryl, Sasha e Abraham, vai haver outro focando em como Rick saiu do trailer e chegou até lá? Essa estrutura da temporada está maravilhosa e dando espaço para cada personagem, o que é ótimo (e fico pensando que outras séries com elenco grande deveriam fazer o mesmo).

“Here’s Not Here” é como aqueles episódios da segunda metade da quarta temporada, em que os personagens foram divididos em núcleos e as pessoas reclamavam das tramas mais dramáticas, especialmente aquele episódio incrível de Beth e Daryl na cabana. Eu amei. Muita gente odiou. Vida que segue.

Ponto alto: esse mergulho psicológico na cabeça de um personagem, para mim, é sempre muito bom e valoriza a série.

Ponto fraco: saber que Eastman iria morrer tirou um pouco do peso da coisa toda, mas nada absurdo.

Nota: “Here’s Not Here” – 9.0

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