Review: Penny Dreadful (Segunda Temporada)

Como hoje é aquele dia em que nenhuma das 40 séries que eu assisto teve episódio novo (e que seja digno de nota), vou fazer algo diferente e pensando no futuro, vou falar da segunda temporada de Penny Dreadful, uma verdadeira maravilha do audiovisual.

Tem spoiler aos montes a partir daqui, não digam que não avisei.

Penny Dreadful começou mal. A primeira temporada foi ótima, mas o primeiro episódio da série é, sinceramente, ruim. A série melhorou muito no decorrer, especialmente por causa das atuações fortes e o fato de fazer terror do jeito certo, sem se tornar uma viagem existencialista e ao mesmo tempo sem se tornar algo descerebrado.

A segunda temporada, no entanto, corre o risco de ser minha temporada preferida do ano (atenção pra spoilers do Fanboyemmy no fim de 2015). Esse equilíbrio entre o drama humano dos personagens e dos elementos de horror foi perfeito, elevando os riscos e desenvolvendo os personagens, além de dar espaço para o resto do elenco além da Eva Green brilhar.

A trama dela, aliás, foi a responsável por um dos melhores episódios da temporada (percebam que a temporada é tão boa que na minha pré-lista para o Fanboyemmy eu tive que colocar três dos 10 episódios) em que conhecemos a origem de Vanessa Ives, com participação poderosíssima da Patti Lupone. “The Nightcomers” foi uma aula de como apresentar a mitologia de uma personagem de maneira não-didática e envolvente – terminamos o episódio sentindo a raiva que Vanessa sente. A revelação de que Vanessa é o objeto de disputa entre dois demônios (Drácula e Lúcifer) foi ótima e tornou mais fácil entender o motivo de tanto sofrimento.

Mas os outros personagens todos (bom, quase todos) tiveram tramas igualmente fortes. Frankenstein lidou com a ressurreição de Brona (agora Lily) e o repentino amor que passou a sentir por ela, enquanto tinha de driblar as ameaças de Caliban, que quer a sua noiva. O doutor mergulhou nas drogas e Caliban teve excelentes sequências de diálogos profundos e significativos com Vanessa (ambos ignorando o quão próximos realmente estão). Mas o que gritou aqui foi a qualidade da interpretação de Billie Piper. Da brutalmente sincera Brona, com seu sotaque irlandês forte, tornou-se Lily, a virginal e delicada noiva de Caliban. Só que um momento chave revelou que na verdade Lily era apenas uma máscara para manipular os homens ao redor, e o monólogo da personagem foi um momento digno de Emmy (Emmy de verdade), assustador, instigante e feminista que me deixou arrepiado e me fez voltar e assistir novamente aquele trecho. O mais incrível não foi apenas a força repentina do monólogo, mas a fluidez com que a Billie conseguiu transitar entre cada emoção ali: do medo à agressividade repentina, à indignação (com direito ao sotaque irlandês e tom de voz de Brona reaparecendo) e finalizando com um tom sensual e ameaçador. Eu tô aqui tentando descrever o indescritível, é o tipo de cena que precisa ser assistida.

Malcolm passou a maior parte da temporada sendo manipulado pelas bruxas e elas, aliás, foram vilãs muito mais formidáveis que os vampiros da temporada anterior. Essa habilidade de manipular moveu a trama o tempo todo e trouxe momentos aterrorizantes e que traumatizaram o explorador de maneira permanente.

Finalmente, Ethan recebeu um propósito e logo após teve as esperanças destruídas ao ser manipulado a matar um amigo. A morte de Sembene foi decepcionante por vários motivos: ele era o único personagem negro da série, não teve tanto desenvolvimento quanto os outros e ficou aquela sensação de que ele poderia ter tido mais destaque. Mas em questão de trama, o evento fez com que Ethan chegasse ao seu limite de ódio por si mesmo e se entregasse à polícia.

O ponto fraco da temporada foi Dorian. Embora a trama com a transsexual Angélique tenha sido interessante e feito sentido para o personagem, ele ficou afastado da trama principal o tempo todo e só no final é que teve algum peso, juntando-se a Lily como um novo possível vilão para o futuro.

American Horror Story pode pretender ser a série de “horror” mais bem sucedida, mas Penny Dreadful é que faz tudo certo, valorizando o elenco estelar com roteiros impactantes, ousados e instigantes e uma mitologia rica e assustadora, o que fez com que a série saltasse no meu top mental de séries preferidas e, atualmente, perde apenas para The Good Wife no tal ranking. Tudo graças a uma segunda temporada que beirou a perfeição e deixou uma impressão marcante.

Anúncios

Um comentário sobre “Review: Penny Dreadful (Segunda Temporada)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s