Por que The Good Wife é a melhor série da atualidade?

Com o fim de Breaking Bad, que era a melhor série no ar, The Good Wife nem precisava de nada para ocupar o espaço: sempre considerei a melhor da TV aberta americana. Infelizmente a série não tem o mesmo tipo de hype que The Walking Dead, Game of Thrones e até a grande porcaria que é Homeland atualmente, mas é superior às três em todos os sentidos. Bom, The Good Wife não precisava de nada para ocupar esse espaço na minha listinha mental de melhores séries que estão no ar, mas conseguiu se superar e iniciar a quinta temporada com um combo de 5 episódios impecáveis e que construíram vagarosamente a destruição de tudo que conhecíamos sobre a série. It’s that good.

Desnecessário dizer que o texto vai estar cheio de spoilers a partir do próximo parágrafo, né?

O fim da quarta temporada foi tão empolgante quanto preocupante. A saída da Alicia da Lockhart/Gardner era algo a se temer e aguardar, e em vez de usar a saída fácil e começar a temporada com um salto de meses, já após o estabelecimento da nova firma, a quinta temporada começou exatamente onde tinha parado. Esse artifício foi usado em vários episódios dessa temporada, com efeito surpreendentemente positivo. Para quem assistiu Breaking Bad, essa coisa de um episódio se “prolongar” para o outro é coisa antiga: a série fez isso desde a primeira temporada. The Good Wife já havia feito algumas vezes, mas não dessa forma, não com essa força e não com essas questões. Aliás, a ousadia de construir relacionamentos, criar todo um universo em torno da Lockhart/Gardner para, em plena 5ª temporada, quebrar tudo para reconstruir através de uma nova dinâmica de rivalidade é louvável.

Mas a qualidade superior de The Good Wife não está só nessas grandes ousadias. A série tem um roteiro que poderia estar numa série da HBO sem problemas, com direito a ironias políticas, cutucadas em questões sensíveis, humor acertado e inteligente e, óbvio, diálogos incríveis. A série já nos trouxe vários momento “YOU GO GIRL”, especialmente vindos da Alicia, uma das personagens femininas mais humanas e completas da TV, sem cair na coisa de mulher sensível e sofredora e nem na mulher super poderosa que não se importa com ninguém. E não é só ela: todos os personagens são verossímeis, possuem a própria humanidade e, enfim, convencem e criam empatia com o público.

É por causa disso que é impossível tomar partido de alguém na guerra entre Lockhart/Gardner e Florrick/Agos. Diferentemente de Suits, outra série de advocacia que encaixa uma guerra judicial após a outra, sem descanso para os personagens e para o público e normalmente criando uma divisão bem clara entre o “bem” e o “mau”, The Good Wife borrou todas as linhas éticas e morais em um único episódio, transformando, simultaneamente, todos os personagens em um misto de heróis e vilões. That’s real life: estamos todos nessa área cinza e é ótimo ver que uma série consegue passar isso sem esforço.

Ninguém vai falar de Hitting The Fan, o quinto episódio da quinta temporada que virou o jogo para todos na série. Pelo menos não como falaram de The Rains of Castamere e Felina. Mas o simples fato de saber que existe uma série de um canal aberto que se dá ao luxo de ser assim tão boa depois de cinco anos e alguns milhões de espectadores a menos já é motivo de esperança e de alegria. E que venha o resto dessa temporada incrível!

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