Fire, Pure e Rise – O Fim de Skins

Se me dissessem em 2008 que em 2013 eu estaria vendo o final de Skins eu iria rir e perguntar como era o final. Se me contassem, eu iria rir ainda mais e ter um ataque. Mas é que na época eu era um moleque de dezoito anos, mal sabia o que era a vida de verdade. Eu cresci, Skins veio crescendo junto comigo, e essa última temporada foi, em partes, uma forma verdadeira e humana de revisitar personagens conhecidos. Um trabalho de reconstrução muito bem feito, exceto quando não foi.

E em Fire não foi. O episódio centrado na Effy era o que tinha mais elementos da série original, já que além da protagonista trazia o casal lésbico preferido de 10 entre 10 fãs da série, Naomi e Emily. A Effy foi, de longe, a personagem que teve uma evolução menos “orgânica”. Depois de enlouquecer, perder o namorado (que foi assassinado, embora ela não saiba), ela simplesmente melhora, vai trabalhar na bolsa de valores e sobe de vida? Verossimilhança mandou beijos. Apesar da descaracterização tensa, o episódio teve seus pontos bons, incluindo o amadurecimento do clima num geral, se aproximando daquelas “séries de escritório” que a gente conhece e ama, em vez de ficar no mundo teen. O ponto alto mesmo foi o Dominic, personagem escolhido para ser o trouxa da vez, indo atrás do amor da Effy. Assim começou também a trilogia de homens lindos desses três especiais do final de Skins. Sério, olha essa coisa linda do Craig Roberts. Agora imagina ele todo derretido por você te ensinando matemática. Vem contar as pintas no meu corpo, seu lindo!

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O desfecho da história foi apelativo, mas pelo menos significou, finalmente, uma evolução mais realista para a Effy. Em vez de permanecer sendo babaca e egoísta, ela tomou a única decisão humana depois de todas as merdas que fez, e confesso que fiquei feliz por vê-la se ferrar. Já o final de Naomily eu nem vou comentar, porque foi o típico caso de “vamos forçar o drama!”. Não funcionou.

O segundo especial foi Pure, focado na ♥ Cassie ♥, também conhecida como melhor personagem. Aqui sim foi um caso lindo de evolução natural e justificada: ela nunca se recuperou de fato de tudo que aconteceu. Rola até uma referência ao Sid, quando ela fala sobre um cara com quem estava viajando pelos EUA, mas essa Cassie de agora, bem mais madura, continua profundamente ferida pela morte do Chris e pela desilusão que teve com o mundo, além de ter se tornado uma pessoa invisível no meio de um monte de gente invisível. Então quando ela começa a redescobrir a própria beleza, redescobrir a própria história e tirar pedras de cima dos assuntos doloridos, é bem bonito de ver. E a segunda parte dos homens lindos é cortesia do Jakob, interpretado pelo Olly Alexander. Essas belezas esquisitas me agradam mesmo, então não quero bullying. O menino fotografou Cassie, mostrou a ela uma beleza que ela nem sabia que existia, e tenho certeza que foi ele uma das principais razões dela tomar a decisão de ficar no final do episódio.

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Eu digo isso porque a Cassie de antes fugiria. Ela iria para New York ou algo do tipo, sumir no mundo, mas ela tinha o irmão, e era uma adulta. Desenvolvimento de personagem é isso.

E, finalmente, Rise. Antes do episódio, eu juro que tava totalmente desinteressado. Nunca fui muito fã do Cook, e depois de Pure eu achava difícil algo finalizar a série de uma maneira mais significativa. E, como eu adoro isso, fui surpreendido. O personagem se tornou o mais complexo dos três, com monólogos muito bem escritos e uma violência contida. Me lembrou muito o personagem do Ryan Gosling em Drive: calado, eficaz, fechado em si mesmo. Outros personagens também foram apresentados de maneira orgânica, especialmente a namorada dele, Emma e a safadinha Charlie. Nesse caso, eu pensei que o chefão do tráfico Louie fosse ser o homem lindo, mas o personagem era tão asqueroso que não tem como. O Cook é o destaque mesmo, como deveria ser. Eu nem achava ele muito bonito na segunda geração, talvez por ser um pouco irritante, mas nesses dois episódios não só tava lindo, mas uma verdadeira maravilha de personagem como um todo.

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Esse amadurecimento das tramas, dos personagens e até da estética da série foi exatamente o que essa temporada final precisava. Passaram-se anos para os personagens e para nós, e embora tenha muita gente que torça o nariz para esse envelhecimento (inclusive deveriam procurar um psicólogo. O medo de ver um personagem envelhecer é o medo de SE ver envelhecer), a série mostrou isso de maneira fiel, tirando o caso da Effy. Então, sim, Skins acabou. Talvez seja hora de encerrar essa fase da minha vida também, né?

(aliás, pessoal, caso alguém esteja lendo esse blog, peço desculpas pela demora entre os posts, é a falta de disposição para escrever que ataca)

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